Há quinze anos, recebi um diagnóstico que mudou a forma como eu passaria a olhar para o meu próprio corpo: esclerose múltipla. Não foi apenas um nome diagnóstico. Foi o início de uma travessia. Uma travessia de escuta, de observação e de responsabilidade sobre mim mesma. Quando o corpo adoece, ele não fala alto de imediato, ele sussurra, sinaliza, pede atenção. E, com o tempo, a gente aprende que viver com uma doença autoimune não é apenas tratar sintomas, mas desenvolver uma relação mais consciente com aquilo que nos atravessa todos os dias: hábitos, escolhas, ritmo, alimentação.
Recentemente, li um estudo que investigou a relação entre proteínas do leite — especialmente a caseína — e respostas do sistema imunológico em doenças autoimunes. A ciência ainda não entrega respostas absolutas, mas ela oferece pistas. E, para quem vive na pele a experiência da doença, cada pista é uma oportunidade de compreender melhor o próprio organismo. Não se trata de radicalismo, nem de medo, nem de modismos. Trata-se de curiosidade responsável. De perguntar: o que o meu corpo está tentando me dizer?
Ao longo desses anos, fui percebendo que saúde não é um lugar fixo. É um processo vivo, que exige presença e disponibilidade para experimentar mudanças quando algo deixa de fazer sentido ou passa a gerar desconforto. Algumas decisões nascem da observação cuidadosa, outras nascem da tentativa e erro, e muitas nascem da coragem de sair do automático. Cuidar de si, especialmente quando se convive com uma condição crônica, é um exercício de autonomia — e autonomia, muitas vezes, começa pelo conhecimento.
Compartilhar essa experiência também é uma forma de cuidado. Porque a informação não serve para assustar, mas para ampliar escolhas. Cada corpo reage de um jeito, cada história é única, e nada substitui o acompanhamento profissional. Ainda assim, conversar sobre o que aprendemos ao longo do caminho pode abrir portas para outras pessoas se observarem com mais atenção e respeito.
Se esse tema ressoa em você, te convido a assistir ao vídeo completo, onde conto com mais detalhes a minha experiência e as reflexões que esse estudo despertou em mim.